Blog do KinG

Memórias

"O ar era úmido, denso, pesado.

Estava muito escuro para distinguir tudo ao primeiro olhar.

Enormes estantes iam do chão até onde a vista alcançava. Tantas quanto conseguia contar. Se perdiam num emaranhado de prateleiras e gavetas.

Recordava-se vagamente do local, mas ao andar por entre os corredores pouco iluminados reconheceu onde estava: dentro da sua própria cabeça.

Caminhando lentamente absorvendo a informação, lembra o que significa aquele local.

"Não estou só dentro da minha cabeça. Estou no local das minhas memórias."

Olhando mais atenciosamente começa a distinguir esferas dispostas por todas as partes. 

Cada uma com uma luz leitosa dentro espiralando tranquilamente.

"Por que estou aqui?"

Aproxima a mão da esfera mais rente a si e uma alegria súbita invade seu ser antes de entender o que continha naquele círculo brilhoso parado à frente.

Um mar se abriu! Calor, cheiro de sal, areia em seus pés!


Remove a mão rapidamente com o coração saltando. 

Não lembrava que ir à praia trazia uma sensação tão forte de felicidade.

Curioso, avança a mão até, finalmente, encostar no globo.

"Vem! Corre! Você não me pega!"

Tinha 4 anos, corria desesperadamente atrás de um colega que tinha feito há poucos segundos enquanto brincavam de castelo de areia quando uma onda desajeitada derrubou as torres da guarita.

O mar estava calmo, andorinhas voavam baixo. Se viu correndo. E correu. Correu sorrindo. Correu com o peito cheio de ar marinho. Correu, correu e correu.

Soltando a mão da clara esfera em azul, lágrimas chegaram aos seus olhos. Uma energia em seu peito trouxe uma sensação de nostalgia estupenda.

Quando pensou em voltar algumas décadas no tempo novamente, sua visão periférica mostra uma luz vermelha à direita de onde estava.

Uma esfera, semelhante a que acabou de levá-lo à praia brilhando com um intenso tom rubro.

Caminha até lá rapidamente sem prestar atenção aos outros círculos ali dispostos.

Essa parecia mais viva que as demais. Era um vermelho forte, intenso, como fogo!


Intrigado, aproxima-se e estica sua mão para ela.

Frações de segundos após a aproximação, veio a sensação.

Uma dor lancinante envolve seu peito, seu coração, sua razão.

Um borrão de imagens corre por sua vista tão rápido quanto a adrenalina corre por suas veias e tudo, enfim, se torna claro.

Um grande sofá cinza se materializa. Dois corpos estavam ali dispostos deitados, próximos um ao outro.

Tão próximos quanto a física permite.

Ela era pequena, branquinha, cabelos pretos longos, nariz afilado, boca diminuta, delicada, cheirosa, risonha.

As sobrancelhas eram bem feitas, mesmo sem maquiagem, seus lábios estavam avermelhados, sua face tinha cor. Era muito bela!

Ele ali se sentia seguro, nos braços dela. Ela estava com uma roupa leve, de um algodão macio. Tinha um perfume suave, doce. Sentia o corpo flutuando a cada suspiro lento com ela em seu peito.

Um televisor passava um filme prestigiado. A trilha era calma, ritmada, amorosa. Ecoava pelo cômodo e chegavam aos seus ouvidos tão audível quanto as batidas dos corações dos dois que reverberavam de forma síncrona. 

Consegue ouvir uma pergunta sendo cantarolada: ♪ Tell me something, girl! 
Are you happy in this modern world? Or do you need more? ♫

Apesar de clássico, ele nunca tinha assistido o longa. Tentava prestar atenção a cada detalhe, mas a concorrência era forte.

O sorriso dela ressoava de maneira clara, meiga, acalentadora.

Seu cabelo solto, liso, fino grudava em sua face.

Seus dedos se entrelaçavam numa mescla de carinho e respeito.

As mãos em seu peito.

Um olhar quente, olhos castanhos penetrantes, tímidos, famintos sorriam de volta.

Contemplando aquele olhar encabulado, conseguiu prever os próximos passos.

Ela posicionou o cabelo de maneira desajeitada atrás da orelha, escondeu o sorriso acanhado, as maçãs do rosto róseas e perguntou finalmente após um pigarro pra limpar a garganta: "O que foi?!"

Com olhos brilhando e um notável tom de nervosismo na fala, ele se pegou pronunciando alto: "Não foi nada. É que você é muito linda!"

O coração aos saltos e a respiração dificultosa o fez voar de volta com todas as sensações de cheiros, sons, luzes misturando e fundindo-se em sua mente.

Quando acordou não sabia bem se tinha dito de maneira límpida, se era coisa da sua cabeça ou se a esfera da memória o tinha pregado uma peça.

A única coisa que sabia é que aquela memória ainda estava muito viva.

E muito doída."

Dia das Mães - 2022

Mãe...

Desde antes de nascer, você já cuidava de mim.
Hoje eu nem o que eu seria sem ti.

Quando maio chega, meu coração festeja.

Não que por ti eu seja grato apenas por um mês.
É que posso explodir de #amor todo de uma vez.

Gosto de dizer que mãe é uma função vitalícia.
Porém, com gratidão e carinho se torna uma delícia.

Mãe é significado de carinho, cuidado e amor.
Com ela ao meu lado até esqueço o que é dor.

Mãe, encontrei uma forma de dizer em poucas palavras que te amo.
E diariamente reforço: Você não é só minha mãe um dia no ano.

As rimas são simples, foram digitadas há pouco, mas foram de coração.
Se eu pudesse te dar alguma coisa, queria te dar todo o meu mundão.

Uma flor, um chocolate ou um abraço nunca pagarão todo o meu dever.
Mas uma coisa te garanto, seria um enorme martírio viver sem você.

Feliz dia das mães.
Não só antes, depois ou agora.

Mas hoje, todo momento, toda hora.

Te amo! ♥






A inveja tem sono leve

Bom, pessoal, tenho algo importante pra compartilhar com vocês.

Quando a gente chega à fase adulta, escuta que a inveja tem sono leve, que a gente não deve falar muito das nossas coisas pra ela não acordar. Porém, em gestão de pessoas, a gente vê que é preciso comemorar nossas conquistas. Todas elas! 

Então, vou ficar no meio termo: Vou comemorar, mas não vou gritar muito alto. A inveja está por aí.

Falo isso porque quero vir comemorar com vocês uma grande conquista. (A maior financeira da minha vida!)

Há 8 anos, quando Alice nasceu, eu tive que pensar no bem estar dela e do irmão e assim investi num veículo. 




Um carrinho básico, sem direção-hidráulica, sem trava automática, sem vidro elétrico, sem som, sem alarme, sem muito aconchego, mas com muito amor. 

Financiei em 5 anos. Era o que dava. Porém, quando estava no quarto ano, houve um acidente que o levou a Perca Total. (Esse período foi horrível, mas passou. Sou muito grato aos meus amigos mais próximos que me ajudaram demais nesse momento.)

Faltando 1 ano para quitá-lo, dei entrada em um outro carro, o que estou hoje, o que me garante segurança e deslocamento saudável pra mim e minha família. Porém, financiei por mais 4 anos.

Falo tudo isso porque agora, finalmente, depois de longos 8 anos posso dizer que o carro não é do banco. Que é meu. Fruto do meu suor.

Pra você pode significar pouco ou menos do que relato, mas pra mim, depois de quase uma década, ver um bem ter o meu nome, é algo que considero grandioso.

Esse sou eu. O que comemora das menores às maiores conquistas da vida. 

E vou continuar comemorando. Seja um ponto, um gol, um jogo ou um carro, uma casa, uma empresa. 

Mas, amigos, se vale a dica, comemorem discretamente. A inveja tem sono leve.